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Livros e Manuais para quem trabalha com textos

(*) Atualizado em 08/08/2017. Uma lista que não para de crescer. Algumas indicações de livros bons e imprescindíveis para q...

Livros publicados

Listagem atualizada (mais recente em 24/08/2017) com os livros que fiz a preparação e/ou revisão e que são publicados por diversas editoras ou autores independentes (não estão em ordem nem de revisão/preparação, nem de publicação):

Acesse a página ou clique para ver a lista completa. http://www.primaverarevisaodetextos.com/p/livros-revisados.html

Para que serve a Gramática?


A Gramática, de acordo com o Prof. Carlos Nougué, é conhecimento regulativo (ou normativo), e por isso uma arte (em sentido analógico) mais diretamente voltada à produção do literal e, de algum modo limitado, ainda à da linguagem falada. Segundo Nougué, é a “arte estritamente normativa da escrita”; “a Gramática, com efeito, há de ser antes de tudo a arte da língua escrita, ou não será propriamente Gramática”, resumindo que “a escrita é a parte das línguas que de si mais capacidade tem não só de conservar-se, mas de conservá-las”.

Nougué explana que: 

a) Gramática ordena-se:
– antes de tudo, a constituir-se juntamente como a arte da escrita; como porém a escrita é signo da fala, a normatizar (dentro de certos limites) a esta, servindo assim à sua arte, a Linguagem; superiormente, a servir à arte-ciência da Lógica e pois à Ciência e à Sabedoria; e também, afinal, à Poética e à Retórica, as quais, todavia, por sua mesma índole e por seus mesmos princípios e fins, só se cingirão mais ou menos estritamente a ela e suas regras.

b) Deve fundar-se:
– antes de tudo, nos melhores escritores não literários (filósofos, jurisconsultos, historiadores...) e, naturalmente, nos gramáticos enquanto são bons escritores; mas também, em justa medida, nos melhores oradores e nos melhores literatos; e ainda nas melhores traduções ao português.

c) Deve considerar-se:
– como arte, que, como toda e qualquer arte, tem seu corpo teórico, dotado de princípios próprios, mas iluminados por princípios de outras ciências, superiores; como arte que é, todavia, não há de ter corpo teórico senão para servir estritamente a seus fins (artísticos), assim como a teoria musical não pode servir senão à prática da composição e à da execução musicais.

d) Deve fazer-se:
– como arte estritamente normativa da escrita e, insista-se, dentro de certos limites, também da fala; para tal deve ter sempre em vista a manutenção e o fechamento de paradigmas; consequentemente, deve formular regras as mais simples e de abrangência o mais ampla possível – o que implica esquivar, ainda quanto possível, as exceções; e, por razões metodológico-didáticas, deve expor-se em espiral ou, mais propriamente, em hélice.

e) Deve ensinar-se:
– normativamente, tendo sempre em vista aquilo a que se ordena; desde a infância (com a necessária gradação no decorrer do tempo); paralelamente à leitura dos melhores autores; e ao exercício constante da escrita.

Deixada à deriva, sem regras que a dirijam, como hoje querem muitos que, porém, o mais das vezes defendem sua tese sem nenhuma deriva, a língua seria como as águas de um rio, puro fluxo, ao ponto de não poder falar-se duas vezes como a mesma língua. É parte intrínseca de toda e qualquer língua ter regras; é o dique sem o qual ela fluiria sem nenhuma permanência e os próprios defensores da tese da língua sem regras nem poderia propor sua tese: simplesmente porque nem sequer haveria nenhuma língua. 

A resposta à pergunta: “Para que serve a Gramática?”, não seria outra senão esta: “Para fazer que nossa língua seja rio, sim, mas rio que graças aos diques e ao curso que lhe demos ajude a atingir a foz da Sabedoria”.

Prof. Carlos Nougué. Suma gramatical da língua portuguesa: gramática geral e avançada. São Paulo: É-Realizações, 2015.

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